"PORQUE NÃO EXISTE OUTRO TERRITÓRIO IGUAL AO NOSSO"
O urussanguense e proprietário da Vinícola Casa Del Nonno, Renato Damian, foi uma das pessoas que acreditou no produto que o vinho Goethe poderia se tornar para toda a região. Atualmente, é o presidente da Associação Pro-Goethe, entidade que está à frente dos assuntos que tratam da primeira Indicação de Procedência de Santa Catarina: o vinho Goethe. Quem acompanha os fatos na mídia, hoje, pode até pensar que foi fácil. Contudo, Damian lembra que, desde a década de 1990, a batalha para que o reconhecimento da região como grande produtora de vinho de qualidade é de longa data. Entre idas e vindas e muitas viagens, Damian conta para Informe Goethe como foi parte dessa história de conquista para toda uma região que, atualmente, pode comemorar o selo nas garrafas de vinho Goethe.
KARLA - Você iniciou na década de 1980, lidando com turismo, e hoje, praticamente 30 anos após, pode-se dizer que houve mudança nesse mercado?
RENATO - Houve mudança, sim. Eu me recordo que nessa época o que mais comercializávamos era o vinho branco de Urussanga, em torno de 70%. De uns anos para cá, houve uma mudança e ficou em evidência o vinho tinto. E há uma tendência agora de novo apontando para os vinhos brancos novamente, que é a cara do Brasil. Temos temperaturas mais elevadas e que favorecem o consumo do vinho branco e, principalmente agora coma Indicação Geográfica que a gente conseguiu dos Vales da Uva Goethe, isso faz com que se crie um potencial grande para o vinho branco Goethe.
K - Com o lançamento do selo nas garrafas, o que isso agregará ao consumidor e o que isso modifica para as vinícolas?
RENATO - Eu digo o seguinte: em 2005 começamos a trabalhar e levamos oito anos para chegar ao selo. Então, veja bem, a Indicação Geográfica é a primeira de Santa Catarina. Ela é muito importante porque está dizendo que não existe outro território igual ao nosso aqui dos Vales da Uva Goethe. Quer dizer, nós temos um produto típico e único, com característica própria. Isso não somos nós que estamos dizendo, foi a pesquisa, foram trabalhos do Sebrae, da Universidade Federal (de Santa Catarina), do Mapa (Ministério da Agricultura, Pesca e Abastecimento) que tecnicamente chegaram a essa conclusão. Nós conquistamos porque outros, nos antecederes da fundação de Urussanga trabalharam com vinho, facilitaram para nós. E hoje estamos, então, coroando este trabalho de diversas famílias antigas e do fruto nosso. Em termos de divulgação, em oito anos, nós fizemos muita coisa. Antigamente, era difícil vir alguém de São Paulo ou de Florianópolis aqui à procura de vinho. Hoje eles vêm normalmente. Porque hoje existe a mídia, a internet, todos os canais de divulgação que dizem "Os Vales da Uva Goethe na região de Urussanga ela é diferenciada por uma série de produtos". E o enófilo ou o consumidor de vinho tem curiosidade dentro dele e a nossa região se torna diferenciada.
K - Então, o consumidor que for ao supermercado ou a algum local específico para venda de vinho logo que ele vir uma garrafa com o selo, ele perceberá que não é um vinho qualquer, que há um vinho diferenciado, que está levando qualidade para casa...
RENATO - Estávamos falando de vinhos em geral. Especificamente daquela garrafa que tem o selo e que representa a origem onde foi produzido aquele vinho e que está escrito "Conselho Regulador da Indicação de Procedência Vales da Uva Goethe garante a origem e a qualidade deste produto". Isso quer dizer o quê? Que esta garrafa de vinho foi rastreada a uva, foi controlada a vinificação dela, foi obedecido o caderno de normas, o Conselho Regulador. Então o consumidor vai ter certeza de que aquele é um autêntico vinho dos Vales da Uva Goethe. Evidentemente, esse produto vai ter um valor agregado maior que outro produto que não tenha esse selo.
K - Mas isso só poderá ser visto agora, a recepção do consumidor aos vinho Goethe com o selo...
RENATO - Não somente pelo selo, as outras garrafas não seladas também são interessantes porque existe uma característica nesse produto, existe um trabalho de clima, de homem, de solo, enfim, a paisagem, a tradição, a cultura, tudo está intrínseco nesta garrafa de vinho. Não é simplesmente uma garrafa de vinho, um líquido. Quando a pessoa está lá fora, em São Paulo, no Rio de Janeiro e passou aqui e pegou uma garrafa de vinho, ele está levando tudo isso. Logo que ele abre, ele está levando a imagem dos contatos que ele teve nos Vales da Uva Goethe. Por isso que devemos atender o turista de uma maneira cortês e de uma maneira que ele possa também fazer propaganda não negativa e só positiva. Aí estaremos atraindo mais gente. Porque uma pessoa que é mal atendida ela faz propaganda contrária para cem pessoas e uma que é bem atendida faz propaganda para dez. Então, portanto, devemos ter essa preocupação.
K - E na Vinícola, qual a frequência com que vocês recebem turistas ou núcleos de visitantes?
RENATO - Diariamente a gente está recebendo gente de fora. Eu que já sou meio um pouco antigo (pausa). Se for analisar em termos de vinho, ainda sou jovem, tenho apenas 30 anos, né (risos). Mas na idade cronológica eu não tenho isso. Mas por ter 30 anos trabalhando com vinho, a pessoa vinha aqui e nunca pedia para experimentar um Goethe. Hoje é normal nós irmos a feiras para fora e na nossa degustação o turista quer muito conhecer onde é produzido, onde é elaborado o vinho, conhecer o dono da vinícola. Ele vem em função dessas características que os Vales da Uva Goethe proporcionam.
K - E de onde vêm os turistas geralmente?
RENATO - Nós temos recebido turismo muito de Florianópolis, porque a nossa mídia está muito ligada a Florianópolis. Imagino que que, logo, com o aeroporto de Jaguaruna, a BR-101 finalizada, nós estando no caminho...Urusanga está muito bem localizada: a subida da serra, as águas termais, a proximidade do litoral, todas essas praias. Nós estamos num centro importante de visitação. Percebe-se, ultimamente, no verão, quando dá um verão chuvoso e o pessoal está na praia, eles começam a entrar para o interior e começam a nos conhecer. Então eu diria que Florianópolis, Camboriú, Blumenau, Itajaí, Curitiba, São Paulo, interior de São Paulo, porque a mídia chega lá fora, emplacamos matérias a nível nacional, inclusive, e isso desperta o consumidor a vir aqui.
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